sexta-feira, 27 de maio de 2011

Reflexões sobre a Admirável Arte Nova

Moinhos de vento, Alexandre, monstros assustadores? Sim eles existem, somos nós. O “Eles” é o “nós” que olhamos com aparente distanciamento para os problemas, fingindo não ter que resolvê-los. Entende?

Essa é uma das muitas questões que cercam a obra de Aldous Huxley, o “Admirável Mundo Novo”, livro muito interessante e que nos faz pensar a todo instante na possibilidade de viver num mundo daqueles.
Daqueles qual ? Vou dizer então:

A história narra um futuro sem famílias, democracia, arte ou liberdade, e o que se conhece sobre isso são conceitos distorcidos e superficiais, programados pelo Estado e injetados nos humanos desde o nascimento. E esses ocorrem massiva e industrialmente, como na linha de produção criada por Henry Ford.
Os seres humanos são separados geneticamente por classes, funções e capacidades. Elogio comum nessa sociedade é: Vossa Fordeza, expressões como pneumática causam agrado. A “promiscuidade” é a regra, assim jogos eróticos são estimulados desde a infância e permanecer muito tempo com a mesma parceira é um comportamento antissocial.Todos os problemas são resolvidos através do Soma, uma droga legalizada e amplamente distribuída pelo Governo, para aliviar depressão, frustração, solidão e dúvidas.
A prioridade é a ciência, que predestina e controla o desenvolvimento das massas:

“Porque, é evidente, não nos contentamos unicamente em incubar os embriões: isso qualquer vaca é capaz de fazer. Também os predestinamos e condicionamos. Decantamos os nossos bebês sob a forma de seres vivos socializados, sob a forma de Alfa ou de Épsilons, de futuros varredores ou de futuros ...  Esteve a ponto de dizer - futuros Administradores Mundiais- , mas, corrigindo-se a tempo, disse futuros Diretores de Incubação.

Eis um pequeno retrato do que é a obra, tão conhecida e discutida, de Huxley.
Poderiam perguntar: 
Será que o autor aproveitando-se das discussões da época, lançou seu livro predestinando-o ao sucesso?
 Será que Aldous queria apenas mostrar seu ponto de vista sobre o que acontecia? 

Nunca poderemos responder, mas o importante é ver como o homem através da arte pode expressar seu modo de vida e como criticamente (im)porta-se no e com o mundo.
Se cumprir essa tarefa a obra está mais que completa e o autor um pouco mais que satisfeito.

Como o próprio nome já diz, incomodar é sim uma arte e sentir-se incomodado, de algum modo, é poder expressar-se artisticamente.

Mas, depois de ver o diretor Lars Von Trier ser “convidado” a se retirar de Cannes perguntamos: Será que a expressão é ainda possível hoje?